Sobre esta fotografia abaixo do bando de Lampião, feita a pedido do governador João Bezerra, pode-se afirmar:
AUXÍLIO:
Trecho de artigo acadêmico:
Norberto O. Ferreras . “Bandoleiros, cangaceiros e matreiros: revisão da historiografia sobre o Banditismo Social na América Latina” In: História vol.22 no.2 Franca, 2003
Desde a década de 1960, as aproximações da História Social ao fenômeno do Banditismo Social estiveram fortemente marcadas pelos estudos desenvolvidos por Eric Hobsbawm. Fernand Braudel tinha feito alguns avanços nesta questão, porém, só quando Eric Hobsbawm publicou Primitive Rebels, em 1959, e Bandits em 1969, o Banditismo Social, como uma forma de resistência camponesa, passou a fazer parte do elenco temático da História Social. Este modelo de análise foi aplicado largamente a distintas realidades e situações, com maior ou menor êxito. Desde o início, este é um tema que aparece como necessariamente comparativo e não restrito a um período histórico e, outrossim, a uma determinada situação histórica.
Segundo Hobsbawm, o Banditismo Social é um fenômeno universal, dado que os camponeses teriam todos eles um modo de vida similar, definido pelo acesso direto à terra e a uma série de recursos naturais e de reciprocidades costumeiras na comunidade; por isto, o Banditismo Social não tem um período definido numa cronologia unívoca. Conforme Hobsbawm, a transição para o capitalismo agrário não acontece num momento histórico específico e depende do momento em que se produz essa transição. Nos países desenvolvidos, esta passagem aconteceu no século XVIII, enquanto nas sociedades da América Latina, no século XX. O momento em que começa o Banditismo Social pode não estar muito bem definido, mas está associado à desintegração da sociedade tribal ou à ruptura da sociedade familiar. É evidente que o Banditismo Social acaba com a difusão do capitalismo industrial e com a consolidação do Estado Nacional, estando relacionado à emergência das classes, e da luta de classes que dão uma nova orientação às lutas dos camponeses.
(…)
O que faz com que estes movimentos de camponeses continuem a ser mais uma das formas de expressão de descontentamento, ou se transformem em movimentos revolucionários, depende de fatores externos. Estes fatores estão relacionados com crises do tipo estruturais, que podem ser provocadas por catástrofes naturais ou por fenômenos irreversíveis, como a emergência do capitalismo. De acordo com Hobsbawm, é nestas ocasiões que o Banditismo Social pode passar a vincular-se a movimentos revolucionários, ou a aceitar a liderança de líderes revolucionários.
Outros dois elementos do modelo de Hobsbawm merecem ser lembrados. Primeiro, temos que destacar a capacidade que seu modelo tem para definir quem estava apto a integrar-se aos grupos de bandidos, o que é uma excelente análise da sociedade camponesa. Não é qualquer um que podia tornar-se um bandido. O bandido não podia ter relações familiares que o apressassem a poder ingressar nessa nova vida, e ao mesmo tempo a sua ligação familiar tinha que ser suficientemente forte para que, uma vez empreendida essa nova atividade, servisse para proteger ou favorecer seu grupo familiar. Em segundo lugar, para formular seu modelo, Hobsbawm baseou-se no folclore e nas narrativas dos feitos desses bandidos. Porém, estas narrativas apareceram reformuladas posteriormente ao desaparecimento dos bandidos, e adaptadas a novas situações.
Para saber mais:
Eric Hobsbwam. Bandidos . Rio de Janeiro:Ed. Forense Universitária, 1975
Eric Hobsbawm. Rebeldes Primitivos. Rio de Janeiro: Ed. Zahar, 1978
Alternativas
A. o governo de Getúlio Vargas (1930-1945) empenhou-se em registrar o bando de Lampião derrotado e degolado.
B. o bando de Lampião não se enquadra na noção de banditismo social, proposta por Eric Hobsbawm (vide o documento relacionado "Bandoleiros, cangaceiros e matreiros: revisão da historiografia sobre o Banditismo Social na América Latina" na coluna à direita).
C. a fotografia, que exibe as cabeças dos cangaceiros e os chapéus e outros objetos adornados, foi encomendada pelo governo baiano e de Getúlio Vargas. Com a foto publicada em diversas partes do Brasil, o governo reafirmava seu poder e colocava no passado este movimento popular e violento, como se estivesse superado.
D. o cangaço é um grande tema literário e audiovisual no Brasil do século XX: O Cangaceiro de Lima Barreto (1953), o filme Deus e o Diabo na Terra do Sol de Glauber Rocha (1964), e ainda personagens de novela como o Zeca Diabo de Dias Gomes, em O Bem-Amado (1973).
Comentário
A questão 11 trazia a definição de banditismo social, uma interessante abordagem histórica a fenômenos como o cangaço brasileiro. O tema, ainda que constantemente re-explorado, especialmente nas produções artísticas, foi trabalhado nessa questão diretamente associado à leitura da já célebre fotografia da degola. O ato de registrar e fazer circular a “destruição” do bando de Lampião era uma reafirmação do poder local e do poder de Getúlio Vargas (1930-1945).
VALOR DAS RESPOSTAS:
A - 4 PONTOS
B - 0
C - 5 PONTOS
D -1 PONTO
QUESTÃO 12:
Trecho de texto do viajante Auguste de Saint-Hilarie (1779-1853), de 1819, narrando costumes observados no Brasil.
Arredores do Rio Araguari ou Rio das Velhas. Viagem à Província de Goiás. Auguste de Saint-Hilaire.
Texto de viajante
“O Capitão da aldeia da Estiva tinha-me hospedado em sua casa. Ao anoitecer os habitantes do lugar reuniram-se ali, de volta de suas lavouras, e pude observá-los à vontade (…) eram todos mestiços de índios com negros (…) falavam a (…) ‘língua geral’ e se dedicavam ao cultivo da terra, demonstrando pelo seu modo de vestir que não viviam na indigência. Enquanto me encontrava entre eles chegou à aldeia um agricultor das redondezas com alguns burros carregados de lingüiças, de carne de porco salgada, de cachaça e de rapaduras (…). O homem encontrou fácil saída para os seus produtos, seja vendendo-os, seja trocando-os por algodão fiado ou peles de veado.”
Texto da inglesa Maria Graham (1785-1842), de 1823, narrando costumes observados no Brasil.
Diário de uma Viagem ao Brasil. Maria Graham.
Texto de viajante
“Tomei chá em casa da Baronesa de Campos e lá encontrei uma grande reunião de família que se realiza sempre aos domingos para tributar homenagens à velha senhora. O chá foi feito por uma das moças com o auxílio da irmã, tal como se daria na Inglaterra. Uma grande urna de prata, bules de chá também com prata, jarras de leite e pratos de açúcar, com elegantes porcelanas da China, estavam colocados numa grande mesa, em volta da qual se reuniam diversas moças. De lá mandavam servir o chá em torno de nossa roda (…). Em seguida, ofereceram-se doces de todas as espécies, após o que todo mundo tomou um copo d’água.”
Após ler os dois textos acima, selecione a alternativa:
Alternativas
A. os dois textos se referem a um conjunto diversificado de hábitos de alimentação em diferentes regiões do Brasil nas primeiras décadas do século XIX.
B. os textos dos viajantes estrangeiros nos informam como viviam nossos antepassados e os costumes característicos desta época.
C. a vida cotidiana em partes distintas do Brasil indica as diferenças de economia, sociedade e cultura entre as vilas rurais do interior e os padrões burgueses europeizados dos grupos sociais abastados da Corte.
D. os viajantes estrangeiros estavam mais interessados na economia brasileira do que em mostrar costumes nacionais.
Comentário
Os viajantes estrangeiros que descreveram os usos e costumes dos brasileiros são uma importante fonte de informação histórica, conforme ressaltamos nessa questão. Ao perceber, de um lado, a descrição dos hábitos no sertão; de outro, um sofisticado chá no mundo de uma Corte que se espelhava em padrões europeus, as equipes podiam observar que restringir o olhar “do outro” a uma relação imediatamente utilitária com as riquezas da colônia pode nos impedir enxergar novas dimensões da vida cultural do passado.
VALOR DAS RESPOSTAS:
A - 1 PONTO
B - 4 PONTOS
C - 5 PONTOS
D - 0
QUESTÃO 13:
A imagem abaixo, sobre o fim da Guerra do Paraguai, foi publicada na revista Semana Illustrada de 27 março 1870. A partir da observação da imagem e de sua legenda podemos dizer que:
Atravessado com uma lança o monstro mais bárbaro e hediondo, que tem visto o mundo - o execrando Francisco Solano Lopez, destruidor de sua própria pátria!...
Alternativas
A. a morte de Solano Lopez foi descrita como um grande feito brasileiro.
B. o autor via como diabólica a participação brasileira na guerra.
C. para o autor a guerra do Paraguai foi uma batalha contra a tirania de um governante cruel.
D. a descrição do líder paraguaio como um monstro ajudou a construir a imagem do Brasil como o de libertador daquela nação.
Comentário
A Guerra do Paraguai surgia nessa questão a partir de uma gravura contemporânea, a qual tinha a pretensão de proporcionar aos leitores de então a “sensação” de estarem testemunhando um momento histórico ímpar: Francisco Solano Lopez sendo morto por “Chico Diabo”. A construção de um evento histórico, na forma de imagens, e o registro jornalístico, se unem à necessidade de retratar e justificar a participação do Brasil na Guerra assumindo o papel de um “libertador” da nação paraguaia.
VALOR DAS RESPOSTAS
A - 1 PONTO
B - 0
C - 4 PONTOS
D - 5 PONTOS
QUESTÃO 14:
Jean de Walbeeck, no Relatório apresentado ao parlamento holandês em 1633, ao discorrer sobre a possibilidade de invasão de terras brasileiras, apontou:
Relatório apresentado ao parlamento holandês em 1633 por Jean de Walbeeck.
“O Brasil oferece grandes lucros aos portugueses. Em relação ao nosso país, verificar-se-á que esses lucros e vantagens serão maiores para nós. Os açúcares do Brasil enviados diretamente ao nosso país custarão bem menos do que custam agora, pois que serão libertados dos impostos que sobre eles se cobram em Portugal e, desta forma, destruiremos seu comércio de açúcar. Os artigos europeus, tais como tecidos, panos etc., poderão, pela mesma razão, ser fornecidos por nós ao Brasil muito mais barato; o mesmo se dá com a madeira [Brasil] e o fumo.
Quanto à situação da parte norte do Brasil, verificar-se-á que nenhuma outra aparece situada tão vantajosamente para o nosso país, pois é a mais oriental de toda a América meridional, de modo que uma viagem comum, seja de ida, seja de volta, pode ser calculada em dois meses. Uma vez de posse desta parte setentrional do Brasil, destruiríamos todo o comércio de açúcar português.”
Baseado nos seus conhecimentos e nas informações contidas no documento acima, escolha a alternativa:Alternativas
A. o documento refere-se à justificativa para a invasão holandesa no Brasil.
B. o documento indica interesse comercial holandês pelo Brasil.
C. a região setentrional à qual o documento se refere é a atual região Norte do país.
D. além do açúcar, havia vários interesses marítimo-comerciais
dos holandeses incluindo a desmontagem do domínio português.
Comentário
A questão 14 da Olimpíada traz como documento histórico um trecho do relatório feito em 1633 por Jean de Walbeeck sobre o norte brasileiro para o parlamento holandês. Como dito no próprio enunciado da questão, esse documento discorre sobre a possibilidade de invasão de terras brasileiras, justificando, portanto, essa ação. Questões imperiais estavam presentes nas disputas entre os Holandeses e à Espanha (unida a Portugal pela União Ibérica). Nessa questão, o tema da presença dos holandeses no Brasil surgia por meio de um documento produzido pelo próprios holandeses, mostrando seus intensos interesses não apenas no território nacional ou na exploração do açucar, mas também na desmontagem das rotas comerciais portuguesas.
VALOR DAS RESPOSTAS:
A - 4 PONTOS
B - 1 PONTO
C - 0
D - 5 PONTOS
QUESTÃO 15:
Trechos da crônica de João do Rio, “A Era do Automóvel”, publicada originalmente em 1911.
“A Era do Automóvel”, João do Rio
Crônica
“E, subitamente, é a era do automóvel. O monstro transformador irrompeu, bufando, por entre os escombros da cidade velha, e como nas mágicas e na natureza, aspérrima educadora, tudo transformou com aparências novas e novas aspirações. Quando meus olhos se abriram para as agruras e também para os prazeres da vida, a cidade, toda estreita e toda de mal pizo, eriçava o pedregulho contra o animal da lenda, que acabava de ser inventado na França”.
Alternativas
A. o texto e a imagem tratam dos impactos gerados pelo automóvel. A crônica de João do Rio descreve o contraste entre um equipamento moderno e uma cidade antiga.
B. no texto há uma concepção pessimista das transformações promovidas pelo automóvel. A imagem da propaganda apresenta uma visão positiva do uso de diferentes meios automotivos de transporte.
C. o tom otimista utilizado na propaganda caracteriza o desenvolvimentismo da Era JK.
D. no texto e na imagem automóvel e as estradas são descritos como elementos geradores de riqueza.
Comentário
Esta questão convidava as equipes a observar um procedimento muito importante para os historiadores: um mesmo tema ou objeto pode aparecer em diferentes momentos (no caso, a presença do automóvel); mas a cada vez que o tema surge, seja renovando, seja repetindo antigas formulações, constitui um novo momento em si. O enfático texto de João do Rio descreve o surgimento do automóvel como algo chocante a seus contemporâneos; até a cidade antiga sofre perante esse “animal” moderno. Já a propaganda, claramente alinhada ao desenvolvimentismo, celebra o transporte automobilístico como fonte exclusiva de riqueza.
VALOR DAS RESPOSTAS
A - 4 PONTOS
B - 5 PONTOS
C - 4 PONTOS
D - 0
QUESTÃO 16:
Trecho do romance "O Bom-Crioulo" de Adolfo Caminha.
O Bom-Crioulo
Texto literário
“Metido em ferros no porão, Bom-Crioulo não deu palavra. Admiravelmente manso, quando se achava em seu estado normal, longe de qualquer influência alcoólica, submeteu-se à vontade superior, esperando resignado o castigo. (…) A chibata não lhe fazia mossa; tinha costas de ferro para resistir como um Hércules ao pulso do guardião Agostinho. Já nem se lembrava do número das vezes que apanhara de chibata… Bom-Crioulo tinha despido a camisa de algodão, e, nu da cintura para cima, numa riquíssima exibição de músculos, os seios muito salientes, as espáduas negras reluzentes, um sulco profundo e liso d’alto a baixo no dorso, nem sequer gemia, como se estivesse a receber o mais leve dos castigos. Entretanto, já iam cinqüenta chibatadas! Ninguém lhe ouvira um gemido, nem percebera uma contorção, um gesto qualquer de dor. Viam-se unicamente naquele costão negro as marcas do junco, umas sobre as outras, entrecruzando-se como uma grande teia de aranha, roxas e latejantes, cortando a pele em todos os sentidos. De repente, porém, Bom-Crioulo teve um estremecimento e soergueu um braço: a chibata vibrara em cheio sobre os rins, empolgando o baixo-ventre. Fora um golpe medonho, arremessado com uma força extraordinária.”
Dossiê “Marujada em fúria!”
Artigos
Para aprofundar seus conhecimentos sobre a Revolta da Chibata, consulte o dossiê “Marujada em fúria!”, publicado pelaRevista de Histórica da Biblioteca Nacional. Edição número 9, abril de 2006.
Alternativas
A. o texto refere-se ao conjunto de punições físicas que caracterizavam o cotidiano dos marinheiros brasileiros no século XIX até os inícios do XX.
B. O Bom-Crioulo é um romance sobre um escravo forte e acostumado aos castigos físicos.
C. a Revolta da Chibata ocorrida em 1910 foi um levante dos marinheiros contra este tipo de disciplina e punição.
D. neste texto literário há uma construção da figura do “bom crioulo” como tipo social no qual se opõem a força à mansidão e à resignação de caráter.
Comentário
Por muitas vezes encontramos o texto O Bom-Crioulo erroneamente associado como diretamente contemporâneo à Revolta da Chibata, à qual ele antecede em datação. Entretanto, ele descreve a aplicação de castigos que será intensamente debatida quando daquele acontecimento em 1910. O país abolira a escravidão mas permitira, por lei em 1890, a volta dos castigos físicos aos marinheiros – uma marujada vastamente composta por negros e mulatos. Cabia observar que o personagem principal, o mulato Amaro, é construído no trecho que utilizamos como um tipo social fisicamente forte mas de caráter manso e resignado.
VALOR DAS RESPOSTAS:
A - 4 PONTOS
B - 0
C - 1 PONTO
D - 5 PONTOS
Documento do Conselho da Fazenda,1657
Documento do Conselho da Fazenda,1657
Relatório
“As índias acham-se hoje miseravelmente reduzidas a seis praças principais, que são: Moçambique, sem defesa; Goa, pouco segura; Diu, arriscada; Cochim, dependente da amizade do rei; Columbo, invadida pelos holandeses; Macau, sem comércio, desesperada; Angola, nervo dos engenhos do Brasil, necessita de prevenção contra os desejos que os espanhóis, ingleses e holandeses têm de nos tirarem os negros […]. A costa da Guiné, donde saía tanta riqueza […] é toda dos estrangeiros […]. O Brasil, reforço principal desta Coroa, pede socorros […]. O Maranhão, mal se sustenta no que é, e receia a cobiça dos estrangeiros que o ameaçam […]. Portugal, enfim, se acha sem forças, sem ânimo para se sustentar […]; não só falta para grandes despesas e para pagar o que deve de justiça, mas ainda para as despesas miúdas.”
Mapa indicando o local contemporâneo das antigas colônias e posses portuguesas
É pertinente afirmar que:
Alternativas
A. a metrópole colonial possuía vários portos importantes no território brasileiro, mas estavam todos em situação precária.
B. Portugal havia estabelecido colônias em diversos territórios durante as Grandes Navegações, que se viam ameaçados por outros impérios coloniais.
C. o autor do texto alerta que as posses portuguesas, ainda que ricas, passavam por dificuldades.
D. no século XVII, o Brasil já era uma colônia importante do mundo português.
Comentário
VALOR DAS RESPOSTAS
A - 0
B - 5 PONTOS
C - 1 PONTO
D - 4 PONTOS
QUESTÃO 18:
Trecho do jornal "A Plebe", editado por Edgar Leuenroth (1881-1968), entre 1917 e 1947.
A partir do documento e dos seus conhecimentos, podemos afirmar que:
Alternativas
Entre os anos de 1913 e 1920, o movimento operário brasileiro conheceu momentos de intensa mobilização. A substituição de importações ao longo da Primeira Guerra Mundial e a consequente expansão da atividade industrial trouxeram importante crescimento ao operariado fabril. Em 1917 e 1919 duas greves gerais atingiram simultaneamente alguns dos maiores centros urbanos do país, sendo reprimidas duramente, inclusive com a expulsão de líderes estrangeiros. Edgar Leuenroth foi figura central em todo esse processo, e a questão 18 da Olimpíada utilizou o jornal A Plebe, por ele dirigido, para indicar essa importância. As equipes deviam atentar para a importância da organização e mobilização operárias bem como para as greves citadas como momentos-chave para o movimento operário na Primeira República.
VALOR DAS RESPOSTAS:
A - 1 PONTO
B - 0
C - 4 PONTOS
D - 5 PONTOS
QUESTÃO 19:
Texto jornalístico indicando a mobilização pelo voto feminino no ano de 1928.
O artigo publicado no jornal Folha da Manhã em 1928, que descrevia a movimentação das feministas divulgando suas demandas, foi o modo de introduzirmos o tema da cidadania através do voto. O voto feminino era fundamental para a emancipação política da mulher. Mas as equipes deviam estar atentas ao anacronismo: as demandas das feministas da década de 1920 não eram as mesmas do movimento feminista que se seguiu. O feminismo não possui uma agenda única, e, como todo movimento político e social, transforma-se ao longo do tempo.
Trecho do jornal "A Plebe", editado por Edgar Leuenroth (1881-1968), entre 1917 e 1947.
Trecho do jornal "A Plebe"
Artigo de jornal
“ A nossa burguesia faz do operariado uma idéia semelhante à que dos escravos faziam os plantadores do século dezoito (…). Nestas condições, mesmo que uma parte do proletariado tenha tendências moderadas, vê-se obrigado a recorrer aos meios extremos, porque, infelizmente, só a estes a burguesia tem atendido”.
Para saber mais:
A Plebe, fundado pelo jornalista Edgar Leuenroth (1881-1968), foi um jornal anarquista com forte teor sindical, publicado entre 1917 e 1947. Esse periódico é fonte muito importante para a compreensão da vida operária nas primeiras décadas do século XX.
Todo o rico acervo sobre a história do movimento operário no Brasil da primeira república coletado durante a vida de Edgard Leuenroth foi doado ao Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas, que em 1974 inaugurou o Arquivo Edgar Leuenroth, local que preserva todo esse material.
Alternativas
A. os trabalhadores são retratados como potencialmente radicais e extremados.
B. as relações entre trabalhadores e patronato eram marcadas pelo diálogo e entendimento.
C. a organização e mobilização operárias eram meios fundamentais para o movimento operário alcançar seus objetivos.
D. as greves dos trabalhadores de diferentes categorias, que marcaram o período entre 1917-1920, foram ponto alto da história do movimento operário na Primeira República.
Comentário
Entre os anos de 1913 e 1920, o movimento operário brasileiro conheceu momentos de intensa mobilização. A substituição de importações ao longo da Primeira Guerra Mundial e a consequente expansão da atividade industrial trouxeram importante crescimento ao operariado fabril. Em 1917 e 1919 duas greves gerais atingiram simultaneamente alguns dos maiores centros urbanos do país, sendo reprimidas duramente, inclusive com a expulsão de líderes estrangeiros. Edgar Leuenroth foi figura central em todo esse processo, e a questão 18 da Olimpíada utilizou o jornal A Plebe, por ele dirigido, para indicar essa importância. As equipes deviam atentar para a importância da organização e mobilização operárias bem como para as greves citadas como momentos-chave para o movimento operário na Primeira República.
VALOR DAS RESPOSTAS:
A - 1 PONTO
B - 0
C - 4 PONTOS
D - 5 PONTOS
QUESTÃO 19:
Texto jornalístico indicando a mobilização pelo voto feminino no ano de 1928.
Voto feminino
Trecho de artigo de jornal
O aeroplano como vehiculo de propaganda
RIO, 12 – O feminismo continua a sua propaganda. Hoje, a cidade assistiu a um interessante e inedito acontecimento. Distinctas senhoras, que fazem parte proeminente da diretoria da “Federação Brasileira pelo Progresso Feminino”, voaram sobre a cidade em aeroplano, distribuindo cartões postaes e manifestos de propaganda do voto feminino.
RIO, 12 – O feminismo continua a sua propaganda. Hoje, a cidade assistiu a um interessante e inedito acontecimento. Distinctas senhoras, que fazem parte proeminente da diretoria da “Federação Brasileira pelo Progresso Feminino”, voaram sobre a cidade em aeroplano, distribuindo cartões postaes e manifestos de propaganda do voto feminino.
Foram as sras. Bertha Lutz, sua brilhante presidente, d.Maria Amalia Bastos, primeira secretaria e dra. Carmen Velloso Portinho, thesoureira.
Um dos postaes tinha os seguintes dizeres: “As mulheres já podem votar em trinta paizes e um Estado brasileiro porque não hão de votar em todo o Brasil?
Paizes nos quaes as mulheres exercem direitos eleitoraes: Allemanha, Argentina (S.Juan),Australia, Austria. Belgica, Birmania, Canadá, Colonia de Kenya, Dinamarca, Estados Unidos, Esthonia, Finlandia, Grã Bretanha, Hespanha, Hollanda, Hungria, Irlanda (Estado Livre), Irlanda (Norte), Islandia, Indias Britannicas e Estados Livres, Italia, Jamaica, Lethonia, Lithuania, Luxemburgo, Man (Ilha de), Mancha (Ilha da), Mexico, Noruega, Nova Zelandia, Palestina, Polonia, Rhodesia do Sul, Rumania, Russia, Suecia, Terra Nova, Tcheco Slovaquia e Brasil “Rio Grande do Norte”.
(…)
As feministas deixaram ainda cahir o seguinte appello á imprensa:
“A Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, orgam do movimento feminista no Brasil faz um appello á imprensa carioca, sempre generosa na defesa das causas nobres, solicitando que dê o seu apoio á campanha em pról dos direitos politicos da mulher”.
AUXÍLIO:
Direito de voto feminino completa 76 anos no Brasil
Artigo de jornal
A. de acordo com a notícia, a maioria das mulheres brasileiras na década de 1920 não tinham direito ao voto.
B. a Federação Brasileira pelo Progresso feminino fazia uma intensa campanha para assegurar às mulheres brasileiras o direito universal ao voto.
C. os direitos políticos das mulheres eram considerados fundamentais para a sua emancipação política.
D. as feministas de 1928, assim como hoje em dia, defendiam a igualdade entre homens e mulheres.
Comentário
O artigo publicado no jornal Folha da Manhã em 1928, que descrevia a movimentação das feministas divulgando suas demandas, foi o modo de introduzirmos o tema da cidadania através do voto. O voto feminino era fundamental para a emancipação política da mulher. Mas as equipes deviam estar atentas ao anacronismo: as demandas das feministas da década de 1920 não eram as mesmas do movimento feminista que se seguiu. O feminismo não possui uma agenda única, e, como todo movimento político e social, transforma-se ao longo do tempo.
VALOR DAS RESPOSTAS:
A - 1 PONTO
B - 1 PONTO
C - 5 PONTOS
Nenhum comentário:
Postar um comentário